2022

DE IMPROVISO NO CONTRATEMPO

O projecto expositivo que se apresenta na Casa da Cultura de Paredes é uma forte afirmação de um percurso sólido e coerente da Pintora Maria Rosas (Porto, 1965). O seu percurso iniciase com uma formação com os melhores professores de desenho e de pintura de referir o Pintor Mário Bismarck (1959) e o Pintor Aníbal Remo (1942 - 2017), começar com os melhores era prenúncio de um percurso artístico imparável. Apresenta-se um trabalho único que nasce da junção de duas linguagens, a pintura e o desenho. A obra nasce de uma memória inconsciente das músicas ouvidas pela autora e que a direcionam a ela própria e ao seu pincel a criar manchas que se tornam formas quase figurativas. Após esse acto performativo e criativo entre a pintora e a tela, nasce um desenho que nos remete para uma memória da filigrana portuguesa. Trata-se de um desenho de pormenor e que convida o espectador à aproximação da superfície da tela e que dialoga com o mesmo, convidando-o a percorrer a linha que o irá levar a formas circulares, umas únicas outras repetidas. Assim são estes pequenos detalhes que celebram a pintura e o desenho ao mesmo tempo. O desenho chama a atenção da mancha e vice-versa, e o detalhe torna-se o protagonista de telas de grandes dimensões. O título da exposição "De Improviso no Contratempo", conduz o público desta mostra a interpretar o improviso como é óbvio com a sua forte ligação ao jazz, mas acima de tudo pretende-se defini-lo como poesia, isto é uma poesia plástica de afectos e de sinceridade artística. O contratempo, surge não como fora de tempo, mas como uma pulsação de cor apoiado na rede de linhas e de manchas nas pinturas da pintora. O pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862 - 1918), o pintor pós-impressionista francês Paul Cézanne (1839 - 1906), e o pintor português Júlio Resende (1917 - 2011), são as grandes referências no percurso artístico da pintora. O pensamento autoral de Maria Rosas vai procurar a estes três homens da cor e da forma abstracta como objecto e meio de representação, a sua linguagem e os seus elementos de uma gramática visual muito própria. Se Vassily Kandinsky (1866 - 1944) conseguiu aliar a pintura e a música nas suas composições pictóricas a Pintora Maria Rosas consegue nas suas telas, que se caracterizam pelo dinamismo e plasticidade das composições, criar belíssimas narrativas que nos sugerem árvores, pássaros e seres de um mundo muito exclusivo e original. Ser original na arte contemporânea é o segredo do sucesso desta mulher artista. Nesta exposição assistimos a uma artista lutando com o que significa ser uma pintora contemporânea, ao mesmo tempo em que permanece profundamente cética sobre o mundo em que vivemos, desde a agitação política até um modo de vida continuamente acelerado. Terminando queria agradecer à Senhora Vereadora da Cultura, Dra. Beatriz Meireles, pela oportunidade de apresentar aos munícipes da cidade de Paredes a Obra da Pintora Maria Rosas. O meu muito obrigado.


José Rosinhas


@ Casa da Cultura de Paredes, Paredes